Folhas em branco
Sobraram folhas em meu caderno. O que faço agora? Deixo-as em branco, ou me transporto pra dentro delas? Ouvi dizer que poemas são obras de apaixonados desocupados, e histórias inventadas, de depressivos alucinados.
O que faço agora? Deixo-as em branco, ou adentro a esse mundo inventado? Esse mundo que me deixa ser o que eu quiser, que me deixa ser o que sou. Apenas o branco, as linhas, a caneta e eu. Sem ninguém para opinar, ditar, guiar. Não preciso seguir estruturas, formas e regras inventadas por gente que nem conheço. Estou sozinho com meu caderno. No final, se não me agradar o resultado, o fecho e guardo em alguma gaveta escura, ninguém irá procurar por ele, não saberão que escrevi. E mesmo que saibam, mesmo que me chamem de depressivo desocupado ou apaixonado alucinado. Já não me importo. Me incomoda saber que há folhas brancas em meu caderno. Como uma vida vazia, uma existência sem propósito. Conseguem imaginar como as folhas brancas se sentem? Abandonadas e desprezadas, dividindo espaço com as folhas usadas. Uma existência sem propósito.
Sobraram folhas em meu caderno. O que faço agora?
- Igor Luis
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